Feirão da Caixa: dicas para não cair em uma cilada

G1

26/06/2021

Feirão da Caixa: dicas para não cair em uma cilada

Por Marta Cavallini


Começou nesta sexta-feira (25) o 1º Feirão Digital da Casa Própria da Caixa Econômica Federal, com mais de 180 mil imóveis e opções sem necessidade de entrada.

Mas, o que parece ser uma ótima oportunidade, exige alguns cuidados e muito planejamento, ressalta o advogado especialista em direito imobiliário e autor da cartilha sobre compra de imóveis do Procon-SP, Marcelo Tapai.

Um dos grandes chamarizes deste feirão são os imóveis próprios da Caixa, que poderão ter 100% do valor financiado, sem pagamento de entrada e carência de seis meses para quitar a primeira prestação.

O advogado alerta que o consumidor pode cair numa armadilha ao fazer esse tipo de negócio por impulso, acreditando que ainda falta tempo para ter que desembolsar algum dinheiro e, portanto, não precisa se preocupar de imediato.

O ideal, segundo Tapai, é comprar à vista ou com o mínimo de parcelas financiadas possível. Além disso, é preciso pesquisar muito antes, porque nem sempre feirões têm negócios imperdíveis com boas ofertas.

Antes de assinar contrato, o especialista ressalta que é importante ter a certeza do quanto pode pagar por mês, considerando todas as outras contas fixas que já possui, inclusive empréstimos, financiamentos de veículos, além de eventualidades que podem ocorrer ao longo do tempo e prejudicar o rendimento familiar.

De acordo com o Tapai, o período ainda é de incertezas, com recorde de desemprego, perda de renda e casos crescentes de Covid. Com isso, o consumidor precisa avaliar antes de tomar uma decisão de longo prazo como a compra parcelada de um imóvel, que será um compromisso de longos anos.

O advogado só recomenda comprar um imóvel financiado agora quem estiver com as contas em dia, tiver uma boa reserva financeira para um eventual imprevisto e, mesmo assim, se a oportunidade for muito boa.

 

"O sonho de boa parte dos brasileiros, ainda mais agora com a crise em que estamos mergulhados, é ter a casa própria. Morar no próprio imóvel significa se livrar do aluguel, um boleto que ficou pesado de pagar para muita gente nestes últimos meses, mas, estamos falando de um bem de um valor expressivo, que será comprado mediante financiamento e, caso o consumidor deixe de pagar as parcelas, poderá perdê-lo e ter seu sonho virando pesadelo. Por isso, é momento de se planejar, fazer muitas contas e não se deixar levar pelo entusiasmo inicial", alerta.

 

Tapai alerta que a falta de planejamento financeiro é um dos principais problemas que podem levar as pessoas a perderem o imóvel. "A lei nº 9.514/97, que trata da alienação fiduciária, é muito severa e não dá muita chance de negociação para os devedores. Se o proprietário não conseguir pagar o financiamento, o banco pode tomar o imóvel e levar a leilão em poucos dias. Em tese, após 30 dias de atraso da primeira parcela, o banco já pode dar início ao processo de retomada do imóvel".

Veja abaixo 8 dicas do advogado para fazer negócio com segurança:

 

  • Só participe do feirão se tiver o objetivo claro de comprar o imóvel e, principalmente, se tiver condições financeiras para tal. Se for olhar só por curiosidade, pode agir por impulso e acabar comprando o que não poderia.
  • Tenha ciência de todos os recursos disponíveis que possui para comprar esse imóvel e como fará para pagar parcelas se a compra não for à vista. Lembre-se que durante a obra, o saldo total é reajustado pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil) e, no financiamento após a entrega das chaves ou mesmo de imóveis usados, não se pode atrasar as parcelas.
  • Conheça bem sua situação financeira. Tenha em mente que sua renda não pode estar muito justa ou comprometida com outros empréstimos/financiamentos de modo que não possam acontecer emergências. O comprador pode ficar desempregado, passar por problemas de saúde ou ter que fazer um reparo de emergência, por exemplo, e precisar gastar mais do que o previsto, comprimindo seus rendimentos. Ou seja, o dinheiro da parcela tem que sempre estar separado.
  • Jamais compre um imóvel sem conhecer sua localização. Procure saber se o local não é perigoso ou barulhento. Também é importante verificar a disponibilidade de transporte público, comércio e escolas próximos.
  • Pesquise o histórico da construtora por meio de consultas do CNPJ no Procon, na prefeitura e no Cartório de Registro de Imóveis. Isso pode evitar sérios problemas como construtoras que atrasam entregam de obra, ou mesmo que sequer entregam o que prometem.
  • Em caso de imóveis usados, consulte a matrícula e verifique se não existem ações contra o proprietário, além de dívidas que possam recair sobre o imóvel como condomínio e IPTU.
  • Não compre o imóvel só porque a construtora ou imobiliária dizem que está com um bom desconto e é uma oportunidade imperdível. Por trás disso podem estar imóveis que não batem sol, que têm problemas estruturais ou que estão no térreo, ao lado de áreas comuns barulhentas.
  • Reserve um dinheiro extra para pagar custas de ITBI e registro de imóveis, que podem totalizar 5% do valor total do imóvel em São Paulo, por exemplo.


Taxas e condições

 

O feirão acontece até 4 de julho e vai oferecer cerca de 180 mil imóveis em todo o país, com a participação de mais de 800 construtoras, segundo a Caixa. A expectativa é de que o evento movimente cerca de R$ 10 bilhões em novos negócios.

 

Para a compra dos 6 mil imóveis Caixa, será possível financiar até 100% do valor, com taxas a partir de TR + 2,5% ao ano + poupança. O prazo de financiamento é de até 35 anos. Nesta modalidade, o cliente também poderá optar por carência de 6 meses para início do pagamento da parcela de juros e amortização. Esses imóveis serão anunciados com um valor mínimo, e o comprador será aquele que apresentar a maior proposta.

Para os demais imóveis, o financiamento será em até 35 anos, com taxas a partir de TR + 3,35% ao ano + poupança. Também será possível optar por um prazo de carência de 6 meses para início do pagamento da parcela de juros e amortização. No caso desses imóveis, cabe negociação. Os interessados poderão apresentar à incorporadora uma proposta com valor abaixo do anunciado.

 

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